3 RAZÕES PARA O OTIMISMO DO SETOR DA CONSTRUÇÃO NO SEGUNDO SEMESTRE

Diminuição da Taxa Selic, o anúncio do Novo PAC e a aceleração da transformação digital apontam para o aquecimento do setor

 

A primeira semana de agosto começou com fortes expectativas de diminuição da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O mercado comemorou o corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, que foi anunciado nesta quarta-feira (02). A decisão impacta nos índices do setor da Construção que, segundo especialistas, vem sofrendo o as consequências da taxa de juros elevada, congelada em 13,5%, por um longo período de tempo. Com o anúncio, a taxa passa a ser de 13,25%.

 

Para Livio Ribeiro, pesquisador do FGV IBRE, o início do ciclo de corte da taxa básica de juros da economia anunciado na primeira semana de agosto pode levar a Selic a fechar o ano em 11,75% e chegar a meados de 2024 em 9,5% ao ano. 

Em especial no que se refere ao Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), que tem a finalidade de entender a variação dos preços na Construção Civil, a diminuição da taxa Selic é apontada como um dos fatores que impactam no índice, o que pode ser comemorado pelo nicho imobiliário no segundo semestre do ano. 

O INCC apresenta três variações, que são definidas de acordo com o período de cálculo. Este índice avalia os preços de serviços; equipamentos; matéria prima (como cimento, tijolos, entre outros); mão de obra de todos os envolvidos, e tecnologias utilizadas em vários pontos da cadeia produtiva.  

Ainda no que tange às expectativas do mercado da construção, somado à queda dos juros básicos, está o anúncio do Governo Federal do lançamento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 11 de agosto, com previsão de investimento anual de R$ 60 bilhõessomando R$ 240 bilhões ao longo dos próximos quatro anos.  

Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, em entrevista à Band News, o carro chefe do programa são os investimentos em infraestrutura, com a retomada de obras públicas paralisadas, mas também a área social, com atenção ao saneamento básico e ao Programa Minha Casa Minha Vida.  

Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Novo PAC contribuirá para dar vazão às obras de infraestrutura, o que é animador para o setor. A entidade soma ainda aos fatores positivos o fato de o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ter aumentado em 42% o orçamento para o financiamento habitacional neste ano, passando de 68,1 bilhões para R$ 96,9 bilhões.  

O acréscimo de R$ 28,8 bilhões será voltado para o reforço do MCMV e para a linha de crédito Pró-Cotista.

 

As boas notícias acabam por refletir na disposição dos empresários do setor em investirem em tecnologia para a otimização dos seus processos de incorporação e construção. Uma pesquisa recém-divulgada da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), apontou que um quinto de executivos do setor imobiliário entrevistados afirmou já ter usado tecnologia de inteligência artificial em suas jornadas, registrando aumento de vendas a partir da implantação.  

Dentre as empresas ouvidas, 27% já possuem áreas especializadas em tecnologia ou inteligência artificial, e 83% consideram positivo o impacto desse tipo de ferramenta nos negócios. 

A pesquisa também indica que 21% consideram que o atendimento ao cliente é a área que mais se beneficiaria do uso de inteligência artificial, seguida por marketing (17%) e comercial (16%). 

Para o CEO do CV CRM, empresa de tecnologia especializada no mercado imobiliário, Fábio Garcez, a implantação da inteligência artificial nas jornadas de venda é um dos avanços significativos que o processo de transformação digital tem possibilitado ao setor.

  

A adoção de chatbots e assistentes virtuais tem sido direcionada para melhoria do atendimento ao cliente, pré-qualificar leads, agendar visitas, além de fornecer suporte em contratos e documentação, oferecendo recomendações personalizadas“, explica.  

Com a melhoria dos índices econômicos; o investimento do Governo Federal em novas iniciativas de impulsionamento do setor; e a inovação tecnológica como nova tônica de aceleração de vendas nas empresas do setor, o mercado da incorporação e construção no Brasil segue reunindo razões para fomentar o otimismo. 

Por: Flávia Sofia
Jornalista
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