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Eduardo Bolsonaro e aliados fazem campanha de desinformação contra a Pública

A Agência Pública tem sido alvo de ataques em uma campanha de desinformação liderada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e outros aliados desde que publicou a reportagem Como Eduardo Bolsonaro e comitiva articulam com parlamentares dos EUA punições ao Brasil, no dia 11 de abril de 2024.

Por Em Sergipe

14/05/2024 às 14:58:27 - Atualizado há

A Agência Pública tem sido alvo de ataques em uma campanha de desinformação liderada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e outros aliados desde que publicou a reportagem Como Eduardo Bolsonaro e comitiva articulam com parlamentares dos EUA punições ao Brasil, no dia 11 de abril de 2024. 

A reportagem descreveu como uma comitiva de 15 deputados bolsonaristas esteve nos EUA usando recursos públicos e valendo-se de suas credenciais como parlamentares para tentar convencer parlamentares Republicanos de que Brasil viveria uma "ditadura". A comitiva buscou apoio ainda para aprovar uma lei para penalizar as autoridades brasileiras e impor sanções ao país.  

Após a publicação, Eduardo Bolsonaro e o ex-apresentador da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, passaram a acusar a Pública de ser "a mídia de George Soros". Passaram ainda a expor nossa repórter, citando seu nome, e incitando seu público online. Paulo Figueiredo ofendeu nossa repórter. 

Em 8 de maio, Eduardo Bolsonaro atacou a reputação da Pública mais uma vez, fazendo afirmações errôneas sobre a reportagem, e, mais grave, acusando-nos de fazer parte de uma conspiração fantasiosa, que incluiria a PF e o presidente do STF,  o ministro Luís Roberto Barroso, e cujo objetivo, segundo o parlamentar, seria "apreender seu passaporte, pelo menos". As afirmações foram feitas em uma conferência em Washington, ao lado de um congressista americano, mas menções semelhantes haviam sido feitas durante uma recente viagem do deputado à Europa. 

Na semana passada, Paulo Figueiredo, voltou a questionar o financiamento da Pública ao ser procurado para a reportagem "Ditadura de esquerda": Governistas e bolsonaristas celebram desfecho de audiência nos EUA, que relatou como dois grupos de parlamentares se articularam para a audiência realizada no Congresso americano em 7 de maio, que o ouviu como testemunha.

A repetição destes ataques demonstra não se tratar apenas de resposta a uma cobertura, mas de uma campanha de desinformação contra nossas profissionais e o jornalismo que praticamos. Como demonstram diversos estudos, os ataques são maiores e mais violentos contra mulheres jornalistas.       

A Pública reafirma as informações presentes nas reportagens, que foram corroboradas por registros em redes sociais, documentos oficiais, entrevistas e depoimentos dos próprios deputados que viajaram na comitiva. Repudia, ainda, a tentativa de envolver nosso trabalho em uma teoria da conspiração que tem sido aventada internacionalmente pelo deputado. A Pública, organização sem fins lucrativos sediada em São Paulo, não tem nenhuma relação nem com a PF e nem com o ministro Barroso.   

A Agência Pública, fundada há 13 anos e dirigida por jornalistas mulheres, é a agência de jornalismo mais premiada do país, com mais de 75 prêmios. A qualidade e o rigor das nossas reportagens é reconhecida nacional e internacionalmente.

Somos financiados por mais de 1600 leitores que apoiam mensalmente o nosso trabalho, além de fundações privadas nacionais e internacionais, e também por venda de conteúdos a empresas privadas como serviços de streaming e produtoras de filmes. A Open Society Foundations, fundada pelo magnata George Soros, é uma das financiadoras no ciclo 2023-2024, sendo apenas uma das nossas fontes de receitas, fruto do reconhecimento à qualidade do nosso trabalho.

Nosso financiamento segue uma política que impede qualquer interferência por parte de financiadores e visa a completa independência editorial de todos os parceiros.

Repudiamos qualquer tentativa de intimidação e ataque à reputação da Pública e de nossos repórteres, que trabalham calcados nos mais estritos padrões éticos da profissão. É lamentável que em vez de responder aos questionamentos, o deputado do Partido Liberal tenha decidido usar as tribunas internacionais que lhes são concedidas por ser representante eleito democraticamente, para atacar o trabalho sério do jornalismo profissional. E que seus aliados ajam da mesma maneira. 

A direção da Agência Pública.

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