Por dentro do centro de pesquisa e desenvolvimento automotivo da Ford

A indústria automotiva global vive um momento de grande transformação. O futuro da mobilidade sobre o qual tanto se fala e se debate está sendo construído hoje, no momento em que você lê este texto. Estamos falando em carros elétricos, conectados e, em um horizonte mais distante, autônomos.

Toda essa inovação e tecnologia parece ocorrer em outro país ou continente. Mas não. Está acontecendo hoje e aqui no Brasil, que tem papel primordial nesse cenário. Se até então se podia pensar que a participação brasileira ocorria apenas por conta do fornecimento de matérias-primas, nos últimos anos, já é possível afirmar que a contribuição nacional se dá em diversas e avançadas frentes, desde pesquisa de novos materiais até desenvolvimento de tecnologias de última geração, algo realmente futurista.

Por exemplo, a Ford mantém há mais de 20 anos um Centro de Desenvolvimento e Tecnologia no Brasil. Com sede em Camaçari (BA), além de unidades em Salvador e Tatuí, no interior de São Paulo, o Centro se transformou radicalmente nos últimos anos, passando a atuar nos projetos mais avançados da companhia, inclusive muitos que ainda não chegaram às ruas. O trabalho é realizado por mais de 1.000 profissionais de forma colaborativa em um ecossistema global formado pelos outros oito Centros de Desenvolvimento da Ford no mundo, especialmente o norte-americano.

Imagem: Divulgação/Ford

A inovação contínua é o diferencial entre as empresas que vão crescer e as que vão desaparecer neste mundo em constante mudança. Isso nos leva a outro grande desafio: a demanda cada vez maior por engenheiros e especialistas. Vimos nesse cenário a oportunidade de ampliar nossa atuação com a exportação de serviços de engenharia para os principais mercados da Ford no mundo, aproveitando a criatividade, a versatilidade e a sólida experiência em custos dos nossos profissionais

Alex Machado, diretor de Desenvolvimento de Produto da Ford América do Sul

“O capital humano é a chave para um futuro promissor, por isso, todo centro de pesquisa e inovação de sucesso também necessita ter, dentre suas atividades principais, a atração, o desenvolvimento e a retenção de talentos”, completa.

Hoje a Ford Brasil é reconhecida pela exportação de projetos de engenharia de ponta e conhecimento. As demandas por serviço cresceram em volume e complexidade e, atualmente, 85% do trabalho do Centro brasileiro é focado em projetos globais, que envolvem desde as próximas gerações dos sistemas multimídias da companhia até criação e aperfeiçoamentos de recursos embarcados de segurança e conveniência.

No Ford Park, em Camaçari, os profissionais do Centro se dividem em seis prédios, em uma área total de 6 mil metros quadrados. Alguns são mais parecidos com escritórios convencionais e outros, diferentes, como o prédio de Plataforma que possui laboratórios onde os profissionais trabalham com peças que a maioria dos clientes não consegue ver, uma vez que ficam por trás da carroceria.

Imagem: Divulgação/Ford

O Benchmarking Center é onde os engenheiros e especialistas desmontam todas as peças e componentes em busca de oportunidade de melhorias, para que eles tenham o melhor desempenho, a maior durabilidade e o menor custo. O trabalho também contempla análises nos âmbitos virtuais depois que o veículo é escaneado e transportado para esse universo digital. Os sistemas permitem análises mais precisas e tomadas de decisão assertivas com base em medidas, números e dados. Uma verdadeira fábrica de dados.

“Mas quem de fato está no centro de todo esse processo e estratégia é o consumidor. Analisamos seu dia a dia, comportamentos, hábitos, usos do veículo, o que, de fato, ele valoriza para poder melhor atender seus desejos e necessidades”, explica Alex.

O time de software é um dos maiores hoje em dia, sendo responsável por 35% dos recursos tecnológicos presentes nos carros da Ford em todo o mundo. Um deles, por exemplo, é o Remote Rev, que permite acelerar o carro remotamente pelo chaveiro. O ronco poderoso do motor V8 é um dos atributos que os fãs mais apreciam no Mustang. A sétima geração do esportivo chegou ao mercado norte-americano no segundo semestre com esse novo recurso que valoriza ainda mais a emoção. Até se chegar a este resultado, o time brasileiro estudou as sequências de acionamento e o padrão de aceleração em clínicas para atender às expectativas do consumidor do Mustang e fez experimentos finais e validação nos Estados Unidos.

Por sua vez, o time de conectividade se debruça para entender toda a potencialidade dessa tecnologia e como transformar uma enorme quantidade de informações em serviços e tecnologias que vão melhorar a vida dos consumidores e tornar seu dia a dia mais fácil. Como foi o caso do Acompanhamento Preventivo Inteligente, sistema que monitora continuamente os dados do veículo e, em caso de necessidade, avisa a Central da Ford que entra em contato proativamente com o motorista para orientação. Outro recurso é a Assistência Técnica em Conferência, que coloca o cliente em contato com um profissional de oficina da concessionária mais próxima para se orientar sobre a melhor solução.

Outra área que está em alta é a de veículos elétricos, na qual o time desenvolve novas tecnologias para o mercado global e que estão servindo de aprendizados e iniciativas para o mercado local. Em outubro, a Ford lançou o Mustang Mach-E, o primeiro veículo 100% elétrico da marca na região, com a atuação da engenharia brasileira. Ícone de esportividade, o Mach-E é o carro elétrico com o maior torque, aceleração e autonomia da categoria SUV, além de oferecer conforto e praticidade no uso diário.

Se depois desse mergulho nesse universo de inovação restar alguma dúvida sobre a participação e o potencial brasileiro no futuro da mobilidade, Alex deixa um recado:

“A alta demanda e os resultados que entregamos comprovam que a engenharia brasileira é extremamente competitiva e que vale a pena investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação em nosso país. A capacidade de desenvolver localmente projetos extremamente complexos do início ao fim é uma vantagem competitiva do nosso Centro e que coloca o Brasil em uma posição de destaque. Hoje somos uma unidade de negócio autossustentável”.

Grafeno, o material do futuro, também faz parte do foco da Ford

O olhar da engenharia da Ford no Brasil se expande para além do portfólio, serviços e tecnologias, e também se volta para a pesquisa de importantes componentes, como o grafeno.

De acordo com o United States Geological Survey (USGS), o Brasil é o segundo país do mundo com o maior potencial para a produção de grafeno, ficando atrás apenas da China. Com propriedades únicas capazes de revolucionar vários produtos, ele é o material mais leve e resistente do mundo — sendo 200 vezes mais resistente que o aço — e possui elevada condutibilidade térmica e elétrica. No mercado automotivo, pode ser aplicado para a melhoria da refrigeração de baterias de carros elétricos, materiais para isolação de ruído, revestimentos anticorrosivos e ligas de alumínio reforçado.

De olho nessa tendência, a Ford criou um time de 20 especialistas dedicado à pesquisa do grafeno em parceria com a UCSGRAPHENE, o primeiro ecossistema de inovação voltado à produção de grafeno em escala da América Latina e vinculado à Universidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Como parte da parceria, foi aberto o Espaço Ford dentro do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação (TecnoUCS) da universidade.

“O Brasil é o único país dentro da estrutura global da Ford que possui um centro dedicado ao grafeno, reforçando a importância da engenharia brasileira no ecossistema de inovação da marca”, orgulha-se Alex Machado.

O time realiza estudos e testes com grafeno combinado a vários materiais, como a borracha, para deixá-los mais duráveis e resistentes. Existem outros projetos que envolvem a aplicação em carros elétricos, uma vez que o grafeno possibilita a redução do peso de componentes, o que, por consequência, leva a um aumento da vida útil das baterias e autonomia dos carros.

Atualmente, o grafeno já é utilizado em mais de 5 milhões de veículos da Ford no mundo, como os esportivos Mustang Mach-E e Mach-1 e a picape F-150 — todos comercializados no Brasil. O material é usado em componentes como cobertura do motor, isolador acústico do sistema de injeção e coberturas de bombas de combustível para aumento da resistência térmica e redução de ruídos.

A riqueza natural do Brasil é um grande diferencial em relação ao mercado global. “A importância de termos um Centro de Desenvolvimento também reside nos estudos de recursos e minerais que nosso país tem em grande quantidade, explorando todas as suas propriedades e potencialidades”, conclui Alex.

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